Torres del Paine para caminhantes não ortodoxos
Antes de qualquer coisa, preciso deixar claro aos leitores deste post: fui ao Parque Torres del Paine, na Patagônia chilena, mas não fiz o curcuito W, talvez o trekking mais famoso das 3 Américas e, com certeza, o mais conhecido e desafiador da Patagônia. E mesmo sem ter passado 6 dias subindo e descendo as torres da cordilheira carregando uma enorme mochila e acampando, posso dizer que conheci e aproveitei muito os 3 dias que passei no parque.
Digo isso porque já recebi olhares enviesados dos caminhantes mais ortodoxos ou mochileiros radicais. E garanto a todos que não é nenhum pecado conhecer o parque de diferentes formas – em barco, em uma espécie de “park tour” ou caminhando por trilhas alternativas e mais acessíveis para aqueles que têm um condicionamento, digamos, um pouco menor. A beleza das torres da cordilheira Paine, das cachoeiras, dos glaciers e dos enormes blocos de gelos que deslizam pelas águas espelhadas dos lagos se oferece de forma democrática a todo e qualquer visitante.
Seguindo, em parte, dica de Ricardo Freire, do blog Viage na Viagem, optei por ir a Torres del Paine de ônibus direto de El Calafate, em vez de fazer o tradicional pit stop de uma noite em Puerto Natales, a cidade chilena mais próxima. Na verdade, o transporte direto não é feito por um ônibus de linha, mas sim por um tour de um dia no parque, oferecido apenas pela empresa Always Glacier, partindo 5h30 da manhã de El Calafate. Com a diferença que você pode ir na excursão, fazer o tour de um dia e ficar no parque por sua conta, retornando quantos dias depois quiser. A diferença de preço entre ir e voltar no mesmo dia e ir e voltar em um outro dia é de cerca de 100 dólares. Mas compensa se comparar com o custo de um hotel em Puerto Natales, por exemplo.
O mais recomendável, em minha opinião, porém, é alugar um carro e ter seu próprio meio de transporte independente dentro do parque, sem precisar depender de transfers. A estrada é de boa qualidade, com exceção de uma pequena parte mais precária, nas proximidades do parque. Mas 10 vezes melhores que nossas estradinhas vicinais Brasil a dentro.
Seja de carro, de ônibus ou a pé pelo circuito W, Torres del Paine é um ponto de parada obrigatório na Patagônia. Deslumbramento igual só tive mesmo quando visitei a Polinésia Francesa e diante do Glacier Perito Moreno, que contei no post anterior.. O Glaciar Grey, embora mais baixo do que Perito Moreno, estende-se a perder de vista no fundo lago do mesmo nome. A viagem até ele é feita de barco, cerca de 1 hora a partir do Hotel Lago Grey. Mas também pode ser observado desde o Refúgio Grey, uma das hospedarias de apoio do enorme circuito W.
Os blocos de gelo que se desprendem do glaciar ficam meses a flutuar no lago e são um espetáculo à parte e cotidiano para os hóspedes do Hotel Lago Grey, que podem vê-los das imensas janelas envidraçadas dos quartos, do bar, do restaurante, das varandas….. Embora não seja o mais caro do parque, o Lago Grey é um hotel de nível (e preço, claro) superior, frequentado em sua maioria por europeus e americanos de meia idade ou aposentados.
De vez em quanto, baixam por lá uns viajantes desavisados, como eu ou um casal de ingleses que conheci. Depois de cinco dias de trekking pesado no W, eles escolheram este hotel para o merecido descanso. Mesmo não tendo nada a ver com o público local, a vista, o conforto, as garrafas de vinho compartilhadas diante dos blocos de gelo e as caminhadas nos arredores valeram as 2 noites que ficamos ali.
A Cordilheira Paine é onipresente em qualquer ponto do parque. Mas em nenhum momento se padece de tédio. De cada novo ângulo, as torres mostram cores e formatos diversos. É tudo tão mágico e majestoso que qualquer um vive um dia de turista japonês por ali, importunando o silêncio com disparos seguidos dos obturadores.
Além das trilhas do W, o parque tem mais de uma dezena de outras trilhas, de baixa, média e alta dificuldade. Todas sinalizadas, podem ser percorridas sem auxílio de guias, a não ser em dias de chuva, quando os guardas florestais desaconselham seguir sozinho por algumas delas, mais empinadas e escorregadias.
Nos três dias em que estive no parque, vive uma das mais agradáveis sensações de solidão da minha vida. O prazer de estar, algumas vezes, rodeada apenas por quilômetros de natureza nos dá a verdadeira dimensão de nosso tamanho neste mundo e da inutilidade de tantas bobagens com que nos preocupamos. Mas também senti uma imensa tristeza por ver do que nosso desrespeito com a natureza é capaz: as árvores retorcidas e negras que sobreviveram do último incêndio do parque, em dezembro passado. E tudo porque um turista preguiçoso não quis carregar seu próprio lixo (é obrigatório levar embora o que se carrega no trekking) e resolveu queimá-lo.
Serviço
Always Glacier – ônibus e excursões para Torres del Paine a partir de El Calafate – info@alwaysglaciers.com
Hotel Lago Grey – www.lagogrey.cl (melhor reservar pelo Booking, que tem preços mais em conta)
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Perito Moreno, o astro rei de El Calafate
Estrela de 10 entre 10 reportagens sobre a Patagônia, o glaciar Perito Moreno vale, por si só, a viagem a El Calafate, cidade turística no coração da província argentina de Santa Cruz. Me sinto meio até meio intimidada em falar sobre um astro como Perito Moreno. Me parece que as imagens contam tudo o que se precisa saber sobre aquele que é considerado o mais alto glaciar do continente – uma “testa” de até 60 metros – e que volta e meia oferece shows espetaculares quando parte do gelo se rompe e cai com estrondo nas águas do Lago Argentino, onde ele se encontra.
Perito Moreno tem um imã que captura os olhos da gente e imobiliza o corpo. Fica-se muito tempo parado diante dele, olhar fixo no gelo. De vez em quando, uma mão sai da letargia, aperta o obturador da câmera fotográfica e volta a se congelar. Parece até um gesto orquestrado que se repete aqui e ali, mirando um ou outro ângulo glaciar. E em todos os olhos, uma expressão de “êxtase”, um deslumbramento sem fim por a natureza ser tão grandiosa e bela.
Há três formas de se admirar o enorme bloco de gelo azul e branco: do alto das passarelas de madeira construídas em terra firme a poucos metros de uma de suas laterais; desde os barcos que podem chegar a poucos metros da parede de gelo; e caminhando sobre ele. Aproveitei as três, passando um dia inteiro vendo e sentindo o glaciar de todas as formas possíveis.
Ir até a passarela é algo que qualquer um pode fazer por meios próprios – ônibus ou carro. Já o passeio de barco e o trekking no gelo são exclusividade de uma empresa de El Calafate – Hielo y Aventura. Muitas empresas podem vender os passeios, mas esta é quem detém o monopólio de operar na parte do Parque Nacional dos Glaciares onde está Perito Moreno.
Há dois tipos de trekkings possíveis em Perito Moreno: mini-trekking, com 45 minutos de caminhada; e o big ice, de 3 a 4 horas sobre o gelo. Infelizmente, eles classificam a sua possibilidade de fazer o trekking pela idade – e não pela condição física. Assim, o mini-trekking aceita pessoas de até 65 anos, enquanto só podem participar do big ice aqueles que têm menos de 45 anos. Ou seja: fui eliminada do big ice pela idade. No início injusto, mas a empresa foi irredutível.
Depois de ter feito o mini-trekking, cheguei à conclusão de que estava de bom tamanho. Não chega a ser fácil caminhar em uma superfície totalmente irregular, às vezes se equilibrando sobre um estreito muro a separar dois mini penhascos de gelo ou no entorno de uma caverna. Como a paisagem varia pouco, depois de 45 minutos me pareceu que já não havia mais o que fazer mesmo.
Para garantir que não se escorregue, os guias colocam uns grampos enormes embaixo da bota de trekking e dão uma mini-aula sobre como caminhar no gelo: pernas abertas para não enganchar os grampos de um pé nos do outro e cair; levantar o joelho para garantir passadas firmes; manter distância da pessoa que está à frente: e caminhar sempre em fila indiana atrás do guia. Um detalhe importante para os turistas-fotógrafos: NÃO dá para caminhar e fotografar ao mesmo tempo nem parar a qualquer momento para isso, pois a fila toda pode rolar gelo abaixo. Fotos, só quando o grupo todo pára.
Além do prazer da aventura, o esforço final é recompensado no final da caminhada com uma dose de uísque, servida com gelo retirado do glaciar ali na hora.
El Calafate
Cidade turística ao extremo, El Calafate é repleta de restaurantes, cafés e hosterias de todos os níveis. Dali se vai a Torres del Paine e a El Chatén por terra, o que faz com que muita gente use a vila como ponto de apoio para todos os passeios naquela parte da Patagônia. Todos os serviços estão disponíveis ao longo da avenida principal: lojas de roupas de frio e neve, agências de turismo, bancos e caixas eletrônicos, restaurantes de todos os tipos. E tudo fica aberto até tarde, visto que as pessoas circulam mesmo à noite, na volta dos trekkings ou passeios nas redondezas.
Na zona urbana mesmo só um passeio: a Laguna Ninez e uma das margens do Lago Argentino. A Laguna – na verdade são 2, interligadas – é um criadouro natural de pássaros e de algumas espécimes de plantas típicas da Patagônia. Dá para passar um bom par de horas ali observando os pássaros mergulharem na água ou fazerem voos curtos, desde bancos instalados em pontos estratégicos da trilha, que é plana e sem dificuldades. Uma pequena porteira permite a passagem da laguna para o Lago Argentino, onde é possível descansar deitado nas areias finas, aquecendo um pouquinho o corpo ao sol.
Serviço
Hielo & Aventura – www.hieloyaventura.com
Mini trekking para Perito Moreno: 540 pesos argentinos
Laguna Ninez – A cerca de 1 km da avenida principal de El Calafate, fica aberta das 10 às 18h. Leve água e algo para comer, pois não há nada ali.
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Um pit stop no fim do mundo: Ushuaia
O fim do mundo é frio, nublado, amanhece cedo e escurece tarde sobre as montanhas cobertas de neve quase o ano todo e o oceano é de um cinza infinito. Por lá encontrei pessoas muito acolhedoras, que convivem harmoniosamente com pinguins, ursos polares, bosques de árvores frondosas e lagos de águas calmas e geladas.
Depois de um voo de três horas desde Buenos Aires, do alto a visão do porto, do Canal de Beagle e das montanhas Martial com o pico coberto de neve impressionam. A sensação de estar chegando à cidade mais austral da América do Sul dá à paisagem um encanto a mais, apesar da ausência de sol nos dois dias em que lá fiquei. Mas o cinza do céu e do mar e a chuva não chegaram a oprimir nem a atrapalhar a viagem. Só as fotos se ressentiram bastante da falta de luz. Até porque viajo com uma Sony Cyber-Shot e um iphone que não compensam muito bem a falta de sol. Pensei até em colocar um filtro PB no Instagran para criar uma bossa e driblar esta, digamos, falha da natureza.
No inverno, Ushuaia é um importante e congestionado balneário de ski, repleto de brasileiros e latino-americanos endinheirados. No verão, o turismo gira em torno dos passeios de catamarã no Canal de Beagle para ver o farol do fim do mundo, os pinguins e leões marinhos. O glaciar mais importante da região é o Martial, mas não se compara em exuberância a Perito Moreno e ao Grey, por exemplo.
Preferido das famílias, dos grupos e dos turistas de terceira idade, o passeio de barco é um tour bastante convencional, um legítimo “programa turístico, com o guia recitando as falas costumeiras, todo mundo tirando fotos o tempo todo e um carimbo no passaporte para quem quiser confirmar que esteve no fim do mundo. Vale para quem nunca viu pinguim nem leão marinho e para poder dizer que viu o farol do fim do mundo, que na verdade não é o farol que inspirou The Lighthouse of the End of the world, de Julio Verne. O verdadeiro farol do fim do mundo está em Staten Island, 350 km a leste de Ushuaia.
Abstraindo o lado essencialmente turístico do passeio, adorei a viagem de barco e a paisagem inóspita, mesmo sob uma temperatura de 3 graus centígrados e muito vento. Em vez de ficar dentro do barco, passei a maior parte da viagem na plataforma de cima do catamarã, ao lado da cabine de comando. Dali a gente tem uma visão quase de 360 graus do canal e pode ver antecipadamente as baleias que voltam e meia surgem no meio do oceano para brincar diante dos nossos olhos. Em alguns momentos, três baleias vinham juntas se refestelar diante do barco. Valeram muitos mais do que as 3 horas de viagem e os R$ 150,00 desembolsados.
Parque Nacional da Terra do Fogo, a estrela de Ushuaia.
Para mim, porém, a grande atração de Ushuaia foi o Parque Nacional da Terra do Fogo, a 30 minutos de van do centro da cidade e que margeia o Canal de Beagle. Foi ali que fiz o primeiro trekking dos últimos 20 anos – o primeiro trekking verdadeiro da minha vida. Com muitos lagos e a vegetação verde-musgo típica da Terra do Fogo, o parque é bem menos frequentado do que os tours do Canal de Beagle. São três trilhas – sendas – de dificuldade média, uma fácil e uma difícil, todas por meio da mata verde-musgo típica da Terra do Fogo. Por serem pouco frequentadas, algumas trilhas dão a sensação de se estar completamente só no fim do mundo. É uma sensação maravilhosa para quem gosta de natureza e odeia multidões, principalmente de turistas. O parque também tem áreas de campings (poucas e bem camufladas na mata) e um refúgio para mochileiros que queiram pernoitar ali. Informações sobre isso estão no site oficial de turismo da cidade – Ushuaia Turismo.
Fiz as duas sendas de dificuldades média – uma de 2h30 ida e volta, rodeando o lago Roca e que vai até a fronteira da Argentina com o Chile, e a outra de 3h, chamada Senda Costera, toda margeando o Canal de Beagle e considerada a mais bonita do parque. As duas são totalmente seguras para uma viajante solitária, bem sinalizadas, com estacas laranja a intervalos regulares e nos pontos em que seria mais difícil identificar o caminho. A Senda Costeira ofereceu alguns pontos mais difíceis de subida e descida, principalmente porque chovia bastante, tinha muito barro e as rochas estavam escorregadias. Em compensação, passar três horas solitária no meio daquela mata – encontrei apenas 4 pessoas durante todo o percurso -, descendo às vezes até a beira do mar e voltando a me embrenhar na trilha funcionou como uma descarga simultânea de adrenalina e serotonina – excitação e êxtase.
Atrações light – pero no mucho!
Caminhar pela cidade de Ushuaia não chega a ser um passeio light todo o tempo. Por estar escorada na cadeia de montanhas Martial, Ushuaia é um sobe e desce constante de ladeiras e escadarias. Cada avenida paralela ao porto forma um pequeno platô. Daí dá para imaginar que sempre vai se subir ou descer para chegar à seguinte. A hosteria em que me hospedei, por exemplo, ficava na quinta ou sexta paralela ao porto. Me pareceu pertinho quando vi no mapa, mas na hora de subir o morro, à noite, já viu né?
O esforço de percorrer algumas partes da vila, no entanto, compensa. Com uma arquitetura típica de zonas frias latino-americanas e ainda preservando casas de madeira e telhado quase vertical do início do século passado, Ushuaia merece um passeio despreocupado.
E para aqueles que preferem turismo de esforço zero, a cidade é ponto de partido para a forma de visitar o parque: da janelinha do Trem do Fim do Mundo – se você conseguir sentar na janelinha, claro. Trata-se de um passeio turístico que aproveita a linha de ferro que funcionava quando Ushuaia não passava de um presídio.
Ushuaia também abriga três museus – Fim do Mundo, Marinha e Yámana. Além da história da cidade, de navegações e naufrágios e animais empalhados, também encontra-se ali um mínimo da cultura dos Yámanas, os nativos fueguinos que viviam ali antes da chegada dos europeus, há 500 anos.
Cidade cara, comida e bebida boa!
Parte de um conjunto de ilhas ao Sul do Estreito de Magalhães, Ushuaia é longe de tudo e, por isso, não dá para ser chamada de uma cidade barata – a Patagônia, aliás, é cara! Mas a rua principal oferece tudo o que o turista pode precisar em uma cidade deste porte, de lojas (tem todas as roupas para trekking e ski que se precisar) a serviços básicos e bons restaurantes. A maior parte, claro, é do tipo “turístico, que expõe na vitrine os cordeiros espetados em volta do fogo da tradicional parrilla argentina. Não faltam, no entanto, pubs, casas de chocolates, cafés etc. Basta ir andando pela avenida principal, olhar na vitrine e parar onde parecer mais interessante. Vai depender do gosto de cada um.
O melhor dos que frequentei, por recomendação do meu amigo Sérgio Sampaio, foi um restaurante chileno de frutos do mar – Chiko. Instalado em uma rua perpendicular (Av. Antártica Argentina) à principal, quase no fim da vila, junto ao Museu do Fim do Mundo, Chiko fica em cima de uma loja de Xerox e não merece um tostão furado quando se vê de fora. Mas como as aparências sempre enganam, serve uma comida realmente muito boa – pescada negra, frutos do mar, truta etc. -, regada às duas iguarias líquidas da Terra do Fogo: a cerveja lager Patagônia e o Vino del Fin del Mundo (malbec ou cabernet).
Não vou me estender aqui nos pontos e programas turísticos de Ushuaia que eu optei por não incluir no meu roteiro. Informações completas sobre Ushuaia podem ser encontradas no site oficlal de turismo da cidade: Turismo Ushsuaia
Serviços
Passeios de catamarã pelo Canal De Beagle - todas as empresas estão instaladas uma ao lado da outra no porto. Basta chegar e escolher uma delas. São basicamente 3 passeios: Canal de Beagle com farol do fim do mundo; o anterior + ilhas de pinguins; o anterior + parada em uma estância e volta de ônibus. As pousadas também vendem os passeios pelos mesmos preços cobrados diretamente.
Transporte para o parque – vans saem ao lado da rodoviária, de hora em hora e retornam na mesma frequência. Durante a semana, a saída é só nas horas pares e o retorno só nas ímpares. Mas é sempre bom checar, pois percebi que nem sempre seguem o que está escrito. Paga-se 60 pesos ida e volta, independente do tempo de permanência no parque.
O que levar na bagagem: Calça e casaco impermeável com capuz e que barrem o vento (essencial), gorro, luva, malhas e segunda pele, meia de lã que não transpire e bota de trekking impermeável para as caminhadas. Se carregar mochila, leve também a respectiva capa de chuva e um saco para carregar o lixo (nada pode ser abandonado nos parques). Protetor solar (eu não precisei) e protetor de lábios.
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Patagônia: um destino, muitas viagens.
Quando se pensa em Patagônia, logo vêm à cabeça os glaciares gigantes, Darwin e suas pesquisas, muito frio, navios ao sabor do vento na costa do Chile ou o farol do fim do mundo, em Ushuaia, a cidade mais austral do continente. Mas a simples decisão de ir à Patagônia abre um mundo surpreendente de paisagens, cores, vegetação e cidades até então desconhecidas, mesmo para o mais informado dos viajantes. E abre também muitas possibilidades de viagens em uma só.
Nas minhas pesquisas, conversas com amigos (obrigada Gilmar Santos, Sérgio Sampaio, Cláudia Costa e Felipe Fernandes) e depois de 13 dias percorrendo uma parte da Patagônia, concluí que há pelo menos três roteiros a seguir na hora de organizar uma viagem para lá durante o verão do hemisfério Sul:
- O roteiro light das famílias e grupos, mais afeitos a ver e tirar fotos do que propriamente a experimentar novas aventuras. Aí estão os passeios de barco para ver os glaciares ou o farol do fim do mundo, os chamados “park tour” que são viagens de ônibus ou vans pelos principais pontos turísticos dos parques e as vistas dos glaciares; as visitas e compras em cidades praticamente voltadas para o turismo, como El Calafate, na Argentina, ou Puerto Natales, no chile.
- O circuito que chamo de misto, de quem não abre mão de um tour de barco ou de ter uma vista geral da diversidade de paisagens, mas também quer se aventurar por trekkings de nível de baixa ou média dificuldade, como trilhas de 3 a 4 horas no Parque Nacional da Terra do Fogo, em Ushuaia, de 1 uma hora para ver uma cascata em El Chaltén ou mesmo caminhar 45 minutos em cima do Glaciar Perito Moreno, em El Calafate, o mais famoso de todos eles. Uma viagem de barco entre Puerto Mont e Punta Arenas (Chile) e/ou Ushuaia (Argentina) também pode fazer parte deste circuito.
- O roteiro hard é para quem vai completar o famoso circuito W de Torres del Paine, no Chile. São cerca de seis dias de trekking, dormindo cada noite em um refúgio ou acampamentos diferente no alto da cordilheira, subindo e descendo rochas levando nas costas uma mochila carregada, inclusive com comida. Também dá para incluir aí a subida dos 750 metros de altitude da Laguna de Los Tres, ponto mais alto a que se chega no Mont Fitz Roy, em El Chaltén. São 8 horas de ida e volta, sujeito a chuva e, o pior, vento e neve no alto do cerro.
Definido o tipo de roteiro, é preciso decidir qual Patagônia pretendemos visitar: argentina, chilena ou um pouco de cada uma? Levando em conta que falamos de uma área de mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, esta é uma decisão importante, que impacta no tempo dia viagem e no bolso do viajante. Afinal, do lado argentino a Patagônia inclui destinos tão distantes um do outro como Bariloche, Rio Galegos, El Calafate/El Chatén e Ushuaia, para citar apenas as cidades que estão no interior, mais próximo da cordilheira e onde se concentram os principais roteiros turísticos.
Na parte chilena, estamos diante de uma imensidão de montanhas e fiordes gelados que vão de Valdívia a Punta Arenas, passando por Osorno, Puerto Mont, Puerto Varas, Puerto Alsen e Puerto Natales, onde se encontro o surpreendente parque de Torres del Paine.
A minha viagem
Como não tenho treino de trekking, optei por um roteiro misto, embora no final tenha vencido o medo e subido o Fitz Roy, a maior aventura da minha vida. Pelo tempo que dispunha – 13 dias – e pela vontade de ter um panorama geral da Patagônia, optei por uma parte da Argentina – El Chaltén, El Calafate e Ushuaia – com Torres del Paine, no Chile. Assim, conseguiria percorrer os destinos mais famosos e ainda experimentar a delícia de fazer trekking sozinha no fim do mundo, no meio do nada.
E nestas condições também achei que o melhor seria percorrer as grandes distâncias de avião – Buenos Aires-Ushuaia e Ushuaia-El Calafate – e as mais curtas – El Calafate-Torres del Paine e El Calafate-El Chaltén – de ônibus. Há também a possibilidade de fazer as distâncias mais curtas ou mesmo os vários roteiros dentro de cada cidade de carro mesmo em um período curto de viagem como esse.
Também por estar só, o que encareceria o aluguel e me levaria a dirigir horas por estradas bastante desertas, preferi não alugar o carro. Depois, percebi que, fora o custo, as estradas eram bastante tranquilas para uma mulher só. Mas só senti mesmo a falta do carro em Torres del Paine, onde fiquei sem mobilidade porque o transporte dentro do parque é meio precário e tive de arcar com transfers. De carro teria aproveitado um pouco mais.
No balanço geral, foi uma viagem fantástica, surpreendente e com muitos desafios vencidos, como trekkings longos sozinha e a subida do Fitz Roy.
A partir do próximo post, vou contar um pouco do que vivi nestes 13 dias, dar dicas de hotéis e passeios e contar o que há de melhor em cada lugar.
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Morro de São Paulo. Morro de saudades!
Em Salvador para uma reunião de trabalho, aproveitei o último final de semana e, fugindo da greve da PM, fui resolver uma falha grave na minha vida de nômade/viajante/turista: conhecer Morro de São Paulo. Nunca entendi porque não tinha ido lá antes – afinal já morei dois anos em Salvador – e sempre ouvi dizer que agora não adiantava mais, pois a ilha tinha acabado sob a horda de turistas tupiniquins e gringos. Ignorando todos os conselhos, resolvi passar 2 dias lá, pelo menos para navegar um pouquinho em mar aberto, ver a paisagem, dar uns mergulhos e cortar os pulsos porque não consegui conhecer o lugar quando era “exclusivo” e “deserto” .
Pois Morro de São Paulo fez valer um batido ditado: se conselho fosse bom, ninguém dava, vendia. A ilha é linda, a água transparente e morna, as piscinas naturais um bálsamo para o corpo. Ainda é possível caminhar por locais semi-desertos e ouvir apenas o barulho do mar deitado embaixo de sombras refrescantes. Sim, estou mesmo falando de Morro de São Paulo, daquele que foi exclusivo na década de 80 e depois “se perdeu” sob a invasão do turismo gringo na década de 90, seguido pelo turismo popular dos anos 2000.
Claro que as praias mais próximas da vila – Primeira, Segunda e Terceira praias – estão lotadas de mesas, cadeiras, guarda-sóis e muitos restaurantes. Tem gente demais dentro e fora d’água para o meu gosto (mas nada que se compare à Zona Sul do Rio nos bons dias de verão). Boa parte dos frequentadores, inclusive dezenas de argentinos, não têm muito cuidado com seus dejetos, principalmente as pontas de cigarro. Mas nada que chegue a comprometer o bem-estar, como acontece em Boa Viagem, no Recife, por exemplo. A poluição visual costumeira da Bahia e alguns exageros no som incomodam um pouco também.
Mas basta um pulo para se ver livre dos turistas ruidosos e das barracas. Uma caminhada pela Quarta Praia – 4 km praticamente desertos – ou pelas praias do lado interno da ilha, como a Gamboa, fazem valer a viagem. E por ali há hotéis e pousadas para todos os bolsos e gostos – de refúgios desertos para lua de mel a hostels próximos ao agito noturno da vila.
O clima em toda a ilha é de camaradagem, ainda uma coisa meio hippie em que todos acabam trocando informações, batem papo com a mesa ao lado no bar. E tudo permeado por aquela hospitalidade ruidosa que só a Bahia é capaz de oferecer. A vila tem aquele clima de cidade do interior em dia de quermesse. Todo mundo sentado na praça ou tomando sorvete, banquinhas de caipifruta (uma delícia) por toda parte e até um “conjunto musical” familiar tocando uns sambinhas (nada de axé, ainda bem).
Os preços em Morro de São Paulo não são baratos para quem tem o hábito de comer bem – e também não chega a se comer muito bem, mesmo os pratos típicos da Bahia. Mas os estudantes que lotam os bares das três primeiras praias não têm do que se queixar.
Fiquei hospedada na Pousada do Joe, na vila, pois ia passar pouco mais de 24 horas e queria ter mais mobilidade. Cama de casal confortável, banho quente, ar condicionado, uma pequena vista para o mar, café da manhã farto. E eu era a única hóspede do lugar. Boa parte das pousadas também tinha muito quarto vago. Estranho para um mês de fevereiro. Atribuo isso ao preço das pousadas – de R$ 100,00 para cima o quarto individual e de R$ 140,00 em diante para o casal. Nos resorts os preços beiram R$ 1 mil a diária.
Agora que já dei a volta na ilha caminhando, me considero uma doutora em Morro de São Paulo. Na próxima vez, já decidi: vou me instalar numa das pousadas da quarta praia e ficar dias e dias me refestelando ao sol. Sem nem ligar por não estar num lugar “exclusivo” e ainda não descoberto. E vai ser em breve, pois já estou morrendo de saudades daquele sol e daquele mar.
Serviço
Como chegar:
De Salvador, via catamarã, são 2 horas de viagem, com saídas do Terminal Marítimo, em frente ao Mercado Modelo, às 9, 12h30 e 14 horas diariamente. Preço: R$ 80,00. Reservas pela internet via Rota Tropical ou Biotur
Do aeroporto de Salvador saem 8 voos diários na época de temporada (novembro/março), operados pelas empresas de táxi aéreo Addey e Aerostar. As reservas podem ser feitas pelo site da Rota Tropica e as passagens custam a partir de R$ 250,00
Também é possível ir de carro ou van até Valença e de lá e lpegar lanchas rápidas que chegam em Morro de São Paulo em 10 minutos.
Reserva de pousadas
Além dos tradicionais Booking.com e Hoteis.com, o site Morro.Travel manda emails coletivos para as pousadas da praia escolhida, que retornam com os preços e disponibilidade de quarto nas datas informadas.
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Renascendo das cinzas.
Rodinhas ficou fora do ar por quase dois meses. E não por preguiça ou falta de assunto. O provedor Locaweb simplesmente tirou o blog do ar (e não foi falta de pagamento) e depois de muita briga conseguimos recuperar parte do conteúdo. Isto é, recuperei os textos, mas não as imagens dos posts.
Agora vou ter de recolocar todas as imagens, uma por uma, novamente. Já consegui recarregar os aplicativos do Flickr e aos poucos vou refazer o restante do layout original.
Mas independente da irresponsabilidade e incompetência da Locaweb (de onde já tirei o blog), minhas Rodinhas não param. Volto a alimentar a blog esta semana, com novas viagens e muitas dicas.
Leia MaisOs deliciosos mercados de natal da Europa
Se há uma coisa que realmente vale a pena conhecer no inverno europeu são os mercados de natal. Trata-se de enormes feiras com todos os tipos de comidas típicas, às vezes alguma diversão e também produtos típicos à venda. Os mais interessantes, segundo os próprios europeus, são os alemães, mas também em Praga e em Paris encontrei agradáveis mercados de natal.
Além de serem um alento para o estômago no meio de longas caminhadas, praticamente todos os mercados têm uma das bebidas mais reconfortantes que encontrei num inverno europeu: vinho quente. Quem nunca fez turismo em cidades cheias de neve, com 10 ou 16 graus negativos, não tem ideia do balsamo que é tomar um copo ou 2 de vinho quente. Mesmo quem nunca gostou desta bebida vai passar a jurar que é sua preferida desde criancinha. Em alguns lugares há a opção de cidra quente, mas o mais gostoso é mesmo o vinho.
E achar os mercados de natal é a coisa mais fácil do mundo para qualquer turista – eles estão sempre na sua rota. Quer ver:
Em Paris, os mais concorridos estão nas Tulheries e em frente ao Trocadero, logo do outro lado da Torre Eiffel, cruzando o Sena. Crepes, vinho quente e doces, como macorrons, fazem a festa de turistas e parisienses.
Já Berlin oferece mercados de natal em vários bairros, alguns pequenos e que cobram uma pequena taxa, outros maiores, gratuitos e muito movimentados. Contam-se uns 50 mercados em toda a cidade, segundo cálculos de guias turísticos. Sempre há um mercado de natal no seu caminho: No Tiergarten, o mais famoso parque de Berlin; nos arredores do Zoologischer Garden, o zoo de Berlin; nos arredores da Alexanderplatz. O mais famoso deles é o Weihnachtsmarkt , que quer dizer exatamente… mercado de Natal, próximo ao Palácio da Ópera e da Unter den Linden, umas d as principais avenidas da cidade. Ali encontra-se de tudo, de amêndoas e salsichas até presentes e objetos de decoração.
Leia MaisInverno na Europa
Passar as férias de final de ano na Europa é sempre um sonho para aqueles que veem muito glamour – e tem, claro – na neve, nos longos e elegantes casacos, na multidão em frente à Torre Eiffel, uma taça de vinho em um bistrô escondidinho num bairro de Berlim do Leste. Pois bem, passei as férias no final do ano passado na Europa, realizando meu sonho de curtir a neve e perambulando por lugares nunca visitados – Praga e Berlin – ou revisitando Londres, Madrid e Paris.
Foi maravilhoso, claro. Mas o frio e a neve superaram em muito – negativamente – minhas expectativas. Uma coisa é dar uma volta na neve e depois se recolher num lugar bem quentinho, para comer e beber. Outra coisa é ser turista num lugar nunca visitado e passar o dia congelando em meio a pontos turísticos apinhados de gente fazendo o mesmo, chapinhar na neve derretida ou escorregar no gelo. E o que dizer de levantar cedinho para mais uma odisseia quando o que o outro lado da janela mostra só dá vontade de ficar embaixo das cobertas, tomando chocolate quente e lendo um livro.
Imaginou? Pois é, vai pensando nisso enquanto arruma a mala e reserva hotel. Nos próximos posts vou dar algumas dicas de programas e locais interessantes e também de completas roubadas no inverno Europeu.
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Highbury, Islington
Quem gosta de futebol, literatura inglesa contemporânea, cinema idem e queijo tem algo em comum: um bom motivo para explorar uma região de Londres pouco conhecida dos turistas. Falo de Highbury, no borough de Islington, Norte de Londres. Para os peloteiros, é ali que se encontra o moderno Emirates Stadium, o estádio do Arsenal, um dos melhores times do futebol inglês (sei que estou chovendo no molhado!) e uma das paixões dos londrinos.
Quem curte a moderna literatura inglesa certamente conhece ou já ouviu falar em Nick Hornby, o escritor de High Fidelity, Fever Pitch (Febre de bola, na tradução brasileira) e , Juliet, naked. Hornby nasceu e vive em Highbury, nos arredores do estádio do Arsenal, time de sua paixão. E é ali que se passam alguns de seus romances e roteiros. No caso dos cinéfilos, as referências também partem de Nick Hornby e do Arsenal, com as locações de Fever Pitch, e chegam a Quatro casamentos e um funeral, que começa e termina no bairro.
Já os amantes de queijo jamais deixarão de ir a Highbury depois de conhecerem La Fromagerie, uma das casas de queijos mais incríveis que conheci e que é considerada uma das melhores de Londres. São dezenas de queijos artesanais de vários países da Europa expostos sobre mesas ou prateleiras na sala dos fundos da loja. Dá para degustar ali mesmo ou levar para casa. Você pode entrar, escolher o queijo, pedir uma taça de vinho e sentar em uma das duas mesas coletivas na sala da frente, ao lado da imensa janela de vidro, e degustar à vontade, lendo seu livro, observando os tipos comuns (i.e., não-turistas) que entram e saem da loja ou sentam ao seu lado para apreciar um queijo e vinho ou os deliciosos quiches e antepastos expostos nas mesas ao seu lado ou as sopas quentinhas que saem da cozinha.
Tirando estas atrações para toda a família e gostos turísticos, Highbury ainda vale como um belo ponto de observação da vida de um bairro “normal” de Londres, isto é, sem turistas ou vida noturna agitada. O bairro tem desde os tradicionais terraces (casas geminadas que ocupam uma quadra inteira) de estilo georgiano até mal vistos Estates, prédios de três andares construídos para abrigar imigrantes e pobres em geral, mas que vêm se tornando reduto da classe media empobrecida pós globalização e também de jovens profissionais, o que os torna até um pouco cult. Gosto de caminhar pelas ruas tranquilas, observar as contradições do bairro, casas decadentes sendo reformadas – parte de um programa do governo para as Olimpíadas –, os Estates de um marrom muito triste ao lado de prédios modernos e coloridos recém construídos em torno do estádio.
A apenas cinco quadras do estádio fica a charmosa Highbury Park, a avenida comercial do bairro, que vai de Highbury Fields, um agradável parque onde até no inverno gelado os ingleses jogam bola, muda de nome para Blackstock Road e chega ao Finsbury Park, um dos famosos parques da cidade. Highbury Park Blackstock Road, além de algumas outras ruas transversais, têm desde acolhedores cafés e pequenos restaurantes a preços bem razoáveis até aquele tipo comércio de bairro em que se encontra de quase tudo um pouco ao alcance de qualquer bolso.
Além da La Fromagerie, outro dos meus locais preferidos na Highbury Park – passei um mês morando no bairro – é o Cinnamon Village, uma delicatessen ideal para o café da manhã ou almoço rápido. Aconchegante nos dias frios, o Cinamon serve sanduíches, sopas e saladas preparados com produtos orgânicos, alguns deles também encontrados nas prateleiras para levar para casa. Nos finais de semana, as opções de café da manhã passam pelo tradicional inglês – ovo, salsicha, queijo e pão – ou pela versão light, com queijo de cabra e tomate. Recomendo também o cappuccino médio, que vem em uma destas xícaras redondas imensas e que leva quase meia hora para acabar.
Para chegar a Highbury, o melhor é pegar a linha Picadela do metrô em direção ao Norte e descer na estação Arsenal, que fica bem ao lado do estádio. Esta estação, alias, tem uma curiosidade que seria bem aproveitada no Brasil em dias de futebol ou grandes aglomerações: há uma área isolada por uma grande para permitir a entrada ou saída em sentido contrário ao da turba.
O retorno pode ser pela estação Highbury/islington (linha Victoria), na extremidade de Highbury Fields, onde também uma outra área comercial, com bares e restaurantes.
Para visitar as locações das películas filmadas em Highbury/ Islington, veja o site http://www.movie-locations.com/. Para outras referências sobre Highbury, há um ótimo post na wikipedia que também indica todas as referências ao bairro encontradas nas artes, especialmente literatura e cinema.
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Depois de um tempinho fora do ar, para adaptação às mudanças de país, de cidade e de vida dos últimos tempos, Rodinhas volta ao ar com a mesma proposta de sempre: seguir minhas viagens pelo mundo, dando dicas para quem opta por viajar “by yourself” e quer saber o que é possível fazer sem auxílio de guias tradicionais ou agências de viagens..
Digo “by yourself” porque a expressão em inglês é a que melhor define o propósito deste blog. Não viajo sozinha, o que costuma ser, para a maioria da pessoas, solidão. Viajo simplesmente. E é isto que procuro mostrar aqui. Organizo minhas viagens sem ajuda de agências, ando pelo mundo sozinha, fazendo o que gosto, encontrando quem aparece pelo caminho.
Eventualmente, até me junto a quem quer fazer a mesma coisa, na mesma época, do mesmo modo, com o mesmo orçamento. Mas isso é conjuntural. A regra é viajar, sempre. Acione suas rodinhas…
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